14 de ago de 2010

3º Domingo de Agosto- Dia do Religioso(a)


A Igreja precisa do carisma do Religioso, da Religiosa. Os Religiosos surgiram nos primeiros séculos da Igreja, como eremitas no deserto, depois como monges enclausurados. Os Religiosos e as Religiosas são testemunhas dos conselhos evangélicos de obediência, pobreza e castidade. No meio de um mundo secularizado, onde impera a busca desenfreada da liberdade, de bens materiais e de prazer, dando as costas aos mandamentos da Lei de Deus, da Igreja e sermão da montanha. Os Religiosos devem estar a serviço do povo.
Que os Religiosos e Religiosas, os de Institutos Seculares e Consagrados não se envergonhem de seguir a Cristo na obediência até a morte, se necessário for, de pobreza, como no-la ensinou Cristo que não tinha onde repousar a cabeça e castidade a toda prova, num mundo que perdeu o sentido do pudor, da castidade, da pureza.
E aqui citamos o exemplo da Beata Lindalva Justa, como exemplo de vocação e testemunho de vida religiosa no serviço a Igreja e aos pobres.

´Sede santos porque Eu sou santo´ (Lev 11,44),


Beata Lindalva Justo de Oliveira

´A exemplo da santidade daquele que vos chamou sede também vós santos em todas as vossas ações´ (1 Pe 1,15).





Mártire religiosa Filha da Caridade

´Procurai ... a santidade, sem a qual ninguém pode ver o Senhor´(Hb 12,14).


Seu martírio

Toda santidade passa pelo crisol do sofrimento. Em 1993, devido a uma recomendação, o abrigo acolheu entre os anciãos Augusto da Silva Peixoto, homem de 46 anos. Ele passou a assediar Ir. Lindalva, e chegou até mesmo a manifestar-lhe suas intenções. Ela começou a ter medo, e procurou afastar-se o mais que pode. Confidenciou-se com outras irmãs e refugiava-se na oração. Seu amor aos velhinhos a mantiveram no abrigo, e chegou a dizer a uma irmã: “prefiro que meu sangue seja derramado do que afastar-me daqui”.

Por não ser correspondido, Augusto foi à Feira de São Joaquim na Segunda-feira Santa e comprou uma peixeira, que amolou ao chegar no abrigo. Não dormiu na noite de quinta para sexta-feira santa. De manhã, Irmã Lindalva havia participado da Via-Sacra, ao raiar da aurora, na paróquia da Boa Viagem. Ao regressar, foi servir o café da manhã aos idosos. Subiu as escadarias da enfermaria, como se estivesse subindo para o calvário, e pôs-se a servir pão com café e leite para os internos da ala masculina. Todos eles estavam em fila, esperando a vez. A irmã, compenetrada com o café, tinha a cabeça baixa quando sentiu um toque no ombro: virou-se e teve tempo apenas de ver o rosto enraivecido do homem que conhecera havia poucos meses... Em seguida, foram dezenas de facadas, pontilhadas por todo o corpo. Tudo diante do semblante horrorizado dos velhinhos que assistiam à cena bem em frente à mesa de café. Um senhor ainda tentou evitar a tragédia, avançando sobre o assassino. Mas Augusto Peixoto estava decidido e, ameaçou de morte quem ousasse se aproximar. Terminado o crime, foi esperar a polícia sentado em um banco na frente da casa. Do abrigo, ele foi para Casa de Detenção e, posteriormente, parou no Manicômio Judiciário. Passados dez anos, os laudos psiquiátricos indicam que ele já não apresenta mais perigo à sociedade. Mas Augusto não tem para onde ir, e o manicômio é sua única casa. Hoje se diz arrependido, e não sabe como foi capaz de fazer aquilo.

Os médicos legistas contaram no corpo de Ir. Lindalva 44 perfurações. Naquela sexta-feira santa, enquanto Cristo morria na cruz, ela morria na sua enfermaria. Cristo levou 39 açoites, e com as 5 chagas, dos pés, mãos e costado, ao todo 44, unia simbolicamente a morte de Lindalva à sua paixão, que um pouco antes ela acabara de celebrar na Via-Sacra. Com impressionante realismo ela agora podia repetir as palavras de Cristo no Evangelho: “Não vim para ser servido, mas para servir e dar a minha vida em resgate de muitos” (Mt 20, 28).

À noite, a procissão do Senhor Morto, que todos os anos passava por aqueles quarteirões, parou na Capela do abrigo. O caixão com corpo de Ir. Lindalva foi trazido e colocado entre o féretro do Senhor Morto e a estátua de Nossa Senhora das Dores. Por toda aquela noite ali compareceu uma multidão de fiéis, padres, religiosos, pessoas de todas as condições sociais, e até mesmo evangélicos, vindos de toda a cidade. Pela manhã do Sábado Santo Dom Lucas Moreira Neves, então Cardeal Primaz de Salvador, celebrou as exéquias. Na missa do domingo in albis ele comentou que poucos anos de vida religiosa foram suficientes para que ela recebesse a graça do martírio, pois deu a sua vida por amor, como São Maximiliano Maria Kolbe, também mártir. E evocando as “sugestões que o seu nome encerra”, disse: “Linda alva é a branca veste que ela, como cada cristão, recebeu no seu batismo; Linda alva é o seu hábito azul de Irmã de Caridade, agora alvejado no Sangue do Cordeiro (Ap. 7, 14) ao qual se misturou o seu sangue; Linda alva é a límpida aurora da Páscoa de Jesus, que raiou para ela três dias depois da sua trágica sexta-feira santa. Límpida aurora – linda alva – da sua própria Páscoa!”

´sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito´ (Mt 5,48)

Dia da memória litúrgica: 7 de janeiro

Restos Mortais: na capela do Abrigo Dom Pedro II, desde 3/mar/2001 (no abrigo onde trabalhava e foi assassinada: Av. Luiz Tarquínio, 20 – Boa Viagem, Salvador, BA).

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