29 de nov de 2010

Perseguição á Igreja : Sinais dos Tempos


Paróquia São Pedro Alcântara vai recorrer da proibição de badaladas do sino

A disposição da igreja conta com o apoio de alguns fiéis, para os quais as festas são mais perturbadoras do sossego dos moradores do que as chamadas sonoras à oração
A decisão de silenciar os sinos da Paróquia São Pedro de Alcântara, na QI 7 do Lago Sul, ameaça parte das celebrações de Natal dos fiéis. A 6ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Território (TJDFT) manteve o entendimento da 16ª Vara Cível de Brasília e a desobediência poderá custar ao caixa da igreja uma multa de R$ 1 mil por cada tilintar. Diante desse posicionamento do Judiciário local, o padre Givanildo Ferreira dos Santos suspenderá as badaladas que convidam os católicos para as cerimônias natalinas, programadas para 21 e 24 de dezembro.

A Justiça acolheu os argumentos dos moradores de que o barulho dos sinos ultrapassa o limite para as áreas residenciais. Registrado como poluição sonora, o problema no bairro nobre atinge todo o Distrito Federal. Dados do Instituto Brasília Ambiental (Ibram) mostram que, desde 2007, paróquias de pelo menos 13 cidades candangas foram notificadas por incomodarem o sossego de moradores dos arredores dos templos.

O Ibram recebe ao longo do ano reclamações de todas as regiões administrativas. Algumas denúncias acabam infundadas e nem sequer viram advertências legais. Até este mês, o Ibram registrou infrações em cinco igrejas localizadas em diferentes localidades do DF. O número é inferior ao assinalado em 2007, quando o órgão somou 13 advertências (veja quadro). Em 2008, foram cinco casos. Ano passado, sete templos responderam ao instituto por perturbaram os vizinhos. As queixas vão desde o barulho dos sinos às pregações em tons exageradamente altos de pastores evangélicos durante cultos. “Já chegamos a interditar igrejas no Sudoeste, na Estrutural e em outras regiões por atrapalharem a tranquilidade dos vizinhos com som alto”, explicou o presidente do Instituto Brasília Ambiental, Gustavo Souto Maior.

No Lago Sul, os toques do sinos da Paróquia São Pedro de Alcântara levaram o Ibram a advertir a igreja em junho deste ano. Os técnicos comprovaram que o som emitido pelos campanários chegava a 56 decibéis, enquanto o máximo permitido em áreas residenciais é 50 decibéis. Para resolver a situação, o Ibram pediu ao pároco Givanildo Ferreira que reformasse os campanários afim de reduzir o barulho emitido. “Para diminuir o volume do ruído, os sinos teriam que ser substituídos”, explicou o padre. A troca não é simples: “Eles (os sinos) são doações recebidas pela igreja”, completou.

Os sinos são tocados quatro vezes ao dia para convidar a comunidade para orações: às 8h25, às 12h, às 18h e às 18h30 durante a semana. Aos sábados e aos domingos, o primeiro convite soa às 9h.

Fonte : Pascom Comunitária e Correio Brasiliense

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